O Ministério da Saúde estima que até o final do ano de 2001 deverão ocorrer 20.820 casos de Câncer de Próstata.

Considerado o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens acima de 50 anos de idade, superado apenas pelo de pele não melanoma, o câncer de próstata aparece nas estatísticas do Ministério da Saúde como o quarto mais mortal, sendo responsável por 7.140 óbitos em 1998. A estimativa é de 20.820 novos casos da doença até o final de 2001, representando um sério problema de saúde pública no Brasil devido as altas taxas de incidência e mortalidade.

Porém, os números poderiam ser menos expressivos se não houvesse o retardo do diagnóstico, apontado pelos especialistas como favorecedor da ocorrência de tumores com alta capacidade de disseminação para outros órgãos.

Para o urologista Misael Wanderley dos Santos, não existe prevenção contra o câncer de próstata e o diagnóstico precoce é a única forma de revelar a existência da doença. O exame mais preciso e utilizado pelos médicos ainda continua a ser o toque retal, onde permite detectar nódulos pequenos, menores que 1,5 cm³ e verificar a extensão da doença. É impossível sentir a próstata sem toca-la, pois de 20% a 40% dos pacientes são diagnosticados com câncer através do toque, avisa o urologista. Outro método é o Antígeno Prostático Específico (PSA, sigla em inglês), um exame de sangue que pode detectar a doença ou sugerir uma uma ultra-sonografia pélvica.

Mesmo portando a doença o paciente demora a ter os sintomas que, por sua vez, surgem apenas quando o câncer está avançado. Geralmente a pessoa tem o hábito de levantar várias vezes é noite para urinar e dificuldades e dor ao urinar. O fator genético também tem particular importância, podendo elevar o risco em três vezes ou mais para os descendentes de doentes de câncer de próstata. “Se pelo menos um pessoa da família teve a doença, as chances de contrair um câncer de próstata dobra para os descendentes”, informa Santos.

O tratamento é baseado em cirurgia, indicado para tumores localizados e radioterapia. Apesar de inibir o avanço da doença, ambos podem representar um preço alto para o paciente que corre o risco de ficar impotente. O aposentado A.N, 61 anos, costumava frequentar o urologista e fazia sempre os exames de rotina. De acordo com ele, depois de um intervalo sem ir ao médico voltou para fazer novos testes e descobriu que estava com a doença após uma biópsia. O mesmo foi submetido a uma cirurgia e conseguiu dar a volta por cima vencendo o mal pela raiz. “Ainda pretendo viver muito, por isso não é bom deixar de ir ao especialista”, disse o aposentado.

Fonte: Folha de Pernambuco